Estudantes aprovadas em primeiras colocações para Jornalismo falam sobre consquista

Sthefany de Paula Miranda Oliveira, 17 anos.
Fotos: Reprodução.

Lorena Souza Gonçalves, 18 anos, Sthefany de Paula Miranda Oliveira, 17 anos, e Camila Moraes Miranda, 18 anos, são as três jovens que têm a aprovação no curso de Jornalismo, através da nota do ENEM, como conquista em comum. Sthefany foi aprovada em 1º lugar, com bolsa integral do Prouni, na Universidade Ceuma, Uniceuma (Maranhão). Camila Moraes entrou em 2º lugar na Universidade do Estado de Minas Gerais, UEMG, onde Lorena garantiu 3ª colocação. A redação foi o ponto forte delas.  


A 1ª colocação em Jornalismo esteve com a Sthefany de Paula na Uniceuma e também Universidade Estadual do Piauí, UESPI. Estudante da cidade Boa Vista do Gurupi, Maranhão, ela escolheu a Uniceuma por ficar em uma cidade mais próxima (campus Renascença) e pelo prestígio da universidade. A classificação na UESPI aconteceu dentro da modalidade para estudantes de escola pública. 


Lorena Souza mora em Nhandeara, São Paulo, foi aprovada na UEMG e também Universidade Estadual Paulista, UNESP. Apesar disso, optou pela UEMG por ter disponibilizado o resultado primeiro. Sobre ter que estudar longe, ela disse 
 "estou aproveitando minha família ao máximo, sei que vou sentir muita falta deles quando for embora. E conversando muito com quem mora na minha futura cidade apesar de já ter ido lá"


Camila Moraes é de São Domingos do Prata, Minas Gerais. Além da UEMG, também conseguiu vaga na Universidade Federal de Ouro Preto, porém deu preferência a Universidade Estadual. "O calendário da UFOP e o atraso para o começo do semestre talvez tenham influenciado na escolha" justificou Camila.




As notas

Todas passaram na chamada regular. Todas tiveram boas notas, especialmente na temida redação do Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM. Camila Moraes atingiu 920 na redação, 691,52 na média e declarou "sempre acho que poderia ter sido melhor, mas de modo geral estou satisfeita". Lorena atingiu 860 na redação, 654 na média. "Fiquei muito satisfeita com a nota porque eu não esperava mesmo!" disse ela. Por sua vez, Shefany, sobre seus 820 na redação e 663 na média geral, falou que satisfação não é a palavra certa, "mas vencer o preconceito de que estudante da rede pública do Maranhão não consegue aprovação no vestibular foi de perto minha maior realização".



Os estudos

É difícil ter a sorte de conseguir uma vaga na faculdade sem nenhum esforço. Em 2016, Sthefany iniciou um cursinho preparatório em Castanhal, PA, a 240km e onde morou por 10 meses. Segundo ela, passar em Jornalismo "foi fruto de muita dedicação e muitas coisas abdicadas". Lorena também fez cursinho, mas diferente do da Sthefany, devido à condições financeiras, o seu foi online, ofertado pelo Descomplica. Lorena ia ao colégio de manhã, trabalhava durante a tarde e estudava os conteúdos específicos a noite, das 18 às 22 horas, e também nos finais de semana, com pausa a cada uma ou duas horas. "Eu não tive quase nenhum final de semana que fosse livre pra outra coisa além de estudar, foi bem cansativo" contou Lorena. Camila diz não ter se esforçado além do que exigia o colégio, mas chegou a frequentar durante algum tempo um cursinho da UEMG, coordenado pelos alunos da universidade. Camila seguiu sua rotina, que contava com algo em comum à maioria dos vestibulandos de Jornalismo: o gosto pela leitura e o prazer em escrever.


Camila Moraes Miranda, 18 anos.
O preconceito

"Enfrentei mais preconceitos do que matéria atrasada" comparou Sthefany, "por várias vezes fui abordada por pessoas que nem íntimas eram e ainda assim se metiam a besta para dizer que jornalista não precisa de diploma, que o mercado é escasso, que vou passar fome etc e etc. No fim todos acabaram por me parabenizar". 

O mercado de trabalho complicado gerou críticas também a decisão da Lorena. "É incontável o número de vezes em que sugeriram que eu mudasse a minha opção ou que eu fizesse concurso público. Demorou um pouco pra minha família me apoiar" desabafou a jovem. 

Camila atribuiu o preconceito que sentiu a, segundo ela, não se tratar de um curso tão popular. "Profissões e cursos mais populares sempre apareciam nas rodas de conversa, nada extremamente preconceituoso, mas as pessoas sempre deixavam claro que jornalismo não era um bom curso.  Comentários que partiam, na maioria das vezes, de pessoas ignorantes que acreditam que só cursos como Medicina, Direito e Engenharia são produtivos e importantes. Eu, particularmente, nunca pensei na rentabilidade e acredito que fiz a escolha certa!" concluiu Camila.

Lorena Souza Gonçalves, 18 anos.

O sonho

Ainda criança Lorena fez a escolha da profissão a ser seguida baseada no amor pela escrita e leitura. "Quando eu tinha uns 8/9 anos eu descobri que além de escritora eu podia ser jornalista e de quebra aparecer na TV, desde então é tudo o que eu sempre pensei em fazer. Acho que a escrita me influenciou primeiro e depois alguns jornalistas renomados que eu acompanhei/acompanho". Lorena já escreveu vários contos e crônicas, além de aos poucos trabalhar em um livro.

Ao contrário de Lorena, a decisão de cursar Jornalismo para Sthefany foi mais recente, embora já amasse a faculdade. Até o 2º ano do ensino médio o planejado era Medicina, substituída por Medicina Veterinária. "Só depois de receber o apoio dos meus pais pude assumir meu amor maior por Jornalismo. Ver que as pessoas não confiam nessa profissão me fez sentir ainda mais paixão" explicou.

A sede pela mudança e a necessidade de lidar com a informação levaram Camila ao Jornalismo, além de acreditar que a população merece uma mídia diferente, mais democrática, imparcial e menos elitista.

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