Cada um tem o Pelé que merece

Imagem: Reprodução / Google

Em meados de 2013, minha família e eu fazíamos nossa costumeira viagem de férias, no fim do ano, para o Rio, mais especificamente, Paraty, cidade onde meu pai vivera a infância. Entre momentos de lazer, visitaríamos meus avós.


Em um desses quentes dias de férias, resolvemos (meus pais, irmãos e eu), sair, tomar sorvete. Passamos por um grupo de homens sentados na mesa de um barzinho, todos aparentavam ter meia-idade, a maior parte de seus cabelos já atingidos pelo tempo: fios grisalhos sobressaiam-se aos demais, com cor.

Não concluímos nem dez passos após passar o barzinho quando ouvimos:

- Ei, Berico!

- Oh, Berico.

Meu pai se virou e cumprimentou os homens, apresentou eles a minha família, ou melhor, a família dele. Eram amigos de infância do meu velho. A mãe, questionadora nata como é, lançou logo:

- Por que Berico?

Risadas.

- Flávio, quando era criança, falava que era Berico, jogador do Flamengo naquela época.

Todos riram, o pai relembrou sua infância, os amigos voltaram à mesa, e nós seguimos caminho.

Mas quem foi esse tal Berico que poucos ouviram falar? E muitos não ouviram? José de Oliveira Filho Berico, ou o ‘’Novo Pelé’’, como a imprensa na época o chamava foi jogador revelação do Guarani na temporada 1963-1964, e na temporada seguinte foi a principal contratação do Flamengo para 64-65.

Diziam ser Berico um pescador: dava peixinho como ninguém. A Nação Rubro-Negra não acreditava ter o novo Pelé, acreditava ter um jogador acima do Pelé. Logo na estreia, ele marcou três gols na vitória do Flamengo contra o Olaria pela segunda fase do estadual em uma noite de sábado.

Mas por que nunca ouvimos falar dele se era tão bom quanto Pelé? Simples, não vingou. Foi vendido ao Oro de Jaslico (México) no ano seguinte. Berico foi mais uma das vítimas da apressada mídia, num dia era Rei, no outro vassalo. A imprensa é mais rápida que o próprio tempo, faz Roma cair do dia para a noite. Faz as trevas virararem luz. A mídia faz do homem seu instrumento e não o contrário.

A mídia...


José passou pelos times do Guarani, Flamengo, Oro de Jalisco (Mex.), Pumas (Mex.), San Antonio Thunder (EUA) e Sacramento Gold (EUA). 

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Sobre o Autor: Vitor é fã de Indiana Jones, estudante de jornalismo, historiador nas horas vagas e acreano nato. Também acredita que o mago é implacável | Instagram.

Um comentário:

  1. Muito obrigada por sua coluna,sou a filha de Bérico e agradeço-lhe a nome de meu papai,seu lindo lembrança

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